sexta-feira, 6 de agosto de 2010

OBESIDADE INFANTIL Cont.



Os cuidados com a obesidade devem ser iniciados desde a gestação, onde a mãe deve ter um acompanhamento adequado e uma dieta balanceada, para não prejudicar a saúde própria e a da criança. Do nascimento até os seis primeiros meses, a criança só precisa do leite materno para ter uma alimentação saudável, (FISBERG, 2006).
Nos estudos realizados por Balaban e Silva (2004), sobre o efeito protetor do aleitamento materno contra a obesidade infantil, observamos que a hipótese de que o aleitamento materno seria um dos fatores para a proteção contra uma obesidade futura é bastante controversa, porém a importância da amamentação e fato incontestável, visto que, representa uma das primeiras experiências alimentares do recém nascido, dando continuidade à alimentação que fora iniciada no útero materno, já que o líquido amniótico e o leite materno possuem características nutricionais bem parecidas, e que diferem qualitativa e quantitativamente de leites infantis industrializados (BALABAN e SILVA, 2004).

Assim como o Ministério da Saúde comenta:

“A alimentação saudável desde o início da vida fetal e ao longo da primeira infância, contemplando a alimentação da gestante, da nutriz, o aleitamento materno e a introdução oportuna da alimentação complementar, tem impactos positivos, afetando não somente o crescimento e desenvolvimento da criança, mas também as demais fases do curso da vida. O inverso também ocorre, a alimentação inadequada pode levar ao risco nutricional, como a desnutrição ou excesso de peso, gerando um aumento da suscetibilidade para doenças crônicas não transmissíveis na vida adulta, [...]. Desta forma, investir na nutrição da mulher e da criança tem benefícios de curto e longo prazo. O aleitamento materno é a primeira prática de alimentação saudável. A promoção do aleitamento materno é considerada uma das ações básicas para a promoção do pleno crescimento e desenvolvimento, redução da mortalidade infantil e prevenção de doenças na infância e na fase adulta” (BRASIL, 2006).

Ainda segundo as pesquisas de Balaban e Silva (2004), alguns hormônios são encontrados no leite materno como a Insulina, esteróides adrenais, T3 e T4 além da leptina, sendo esta ultima aquela que teria papel fundamental no processo de regulação do apetite, já o leite industrializado colaborariam com o aumento na ingestão de proteínas, o que supostamente levaria a uma multiplicação dos adipócitos, contudo esta hipótese requer maiores estudos. Sobre a multiplicação do número de adipócitos McArdle et al. (2001), informam que este processo ocorre em três períodos: o primeiro no último trimestre da gravidez, o segundo no primeiro ano de vida e o terceiro durante a explosão de crescimento da adolescência.

Outro fato importante sobre o efeito protetor do aleitamento materno, segundo Balaban e Silva (2004), é que, a dieta da mãe interfere no sabor do leite materno, a proposta é de que quanto mais sabores a mãe proporcionar a criança através da amamentação, melhor será futuramente a aceitação de novos alimentos por parte da criança. Ainda dentro da pesquisa realizada por Balaban e Silva, observamos também a questão dos vínculos afetivos que o aleitamento materno proporciona à relação mãe e filho, e que isto também colabore para a hipotética relação do efeito protetor do aleitamento materno contra a obesidade infantil, (BALABAN e SILVA, 2004).

Já Fisberg (2006), nos alerta para os cuidados com a alimentação que devem continuar durante todo o desenvolvimento para evitar que a obesidade se instale, pois torna-se facilitada a detecção da doença, estudando-se as variações ponderais desde o seu início, analisando-se também antecedentes neonatais, familiares e alimentares. Estudos americanos mostram que a chance de uma criança obesa chegar a vida adulta como obesa, está em torno dos 18%. Já o adolescente obeso terá esta possibilidade aumentada de 8%.

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